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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Não pise no meu piso!

Por Daniella Bittencourt Féder



Você sabia que jornalista ganha mal? No Paraná, o piso salarial dos jornalistas não tem reajuste real há 14 anos. E, como se não bastasse, o sindicato patronal da categoria quer beneficiá-los com extinção do adicional hora-extra, redução de 41% no piso (que cairia para R$ 1.200) para o interior do estado e o congelamento do anuênio. A desculpa é que “os negócios não andam bem”. Cabe essa justificativa a donos de empresas cujos faturamentos cresceram 33% no primeiro semestre deste ano?

O Sindicato dos Jornalistas tem uma pauta de reivindicações – que inclui vale-refeição e adicional noturno -, mas os patrões não mostram interesse por outra coisa que não seja a retirada de direitos dos próprios colaboradores. A profissão de jornalista vem sendo ridicularizada descaradamente pelos donos de veículos de comunicação.

Na quinta-feira, 29, o SindiJor convocou a classe a duas reuniões para discutir a situação. O desapontamento é unanimidade. Foi declarada assembleia permanente e levantada a possibilidade de greve, caso seja necessária uma medida extrema. Uma Comissão de Mobilização foi formada, e está trabalhando na criando ações de manifesto contra o que está acontecendo e na promoção da campanha “Não Pise no Meu Piso”.

A próxima reunião com os patrões está marcada para o dia 18, na sede da Associação das Empresas de Radiodifusão do Paraná (AERP), localizada na Rua Marechal Hermes, 1440, no bairro Ahú. Na ocasião, os jornalistas vão impor suas reivindicações, e convidam a todos para uma manifestação contra o seqüestro de direitos. Jornalistas e estudantes de jornalismo podem (devem!) comparecer.



Os fura-greves
Os jornalistas têm histórico de fura-greves. A última grande greve que aconteceu no setor foi no início dos anos 80. Porém, quando todos os jornalistas que trabalhavam em redações estavam paralisados, assessorias de imprensa enviavam material para encher as páginas dos jornais. Caso haja outra greve, não é improvável que isto aconteça. Hoje em dia, com as facilidades da internet, é muito fácil e rápido fechar jornais somente com matérias recebidas de assessorias de imprensa e agências de notícias – inclusive internacionais.



Mobilizan
“Em Curitiba, Foz e Ponta Grossa, começou na assembleia desta quinta-feira a distribuição do Mobilizan – o remédio que faltava para que os jornalistas acordem da letargia que os domina há anos e reivindiquem com ânimo seus direitos. Produzido pelos laboratórios unidos Sindijor-PR/Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná, o Mobilizan é um fármaco tarja preta sem contra-indicação, que deve ser usado em casos de tratamento desigual, ataque aos direitos estabelecidos; desvalorização da profissão aguda; defasagem salarial crônica; excesso de trabalho; e outras enfermidades sensíveis aos componentes da fórmula” do blog acordajornalista.blogspot.com.

O jornalista ou estudante de jornalismo que quiser iniciar o tratamento com o Mobilizan pode buscar o seu na sede do Sindicato dos Jornalistas, que fica no centro, na Rua José Loureiro, 211 – ao lado da agência da Caixa Econômica Federal.



Twitter
Muito provavelmente, os meios de comunicação comerciais não vão publicar conteúdo comentando sobre o desrespeito aos jornalistas. Como forma de divulgação da campanha Não Pise no Meu Piso, no Twitter foi criada a hashtag #grevedosjornalistas. O banner está disponibilizado no link twitpic.com/2u2d7o, e quem estiver disposto a aderir à empreitada pode utilizar como foto das redes sociais.

sábado, 19 de junho de 2010

Dono Cãociente + Adote um Gatinho

Fãs e donos concientes de cães e gatos, fiquem ligados: aqui vão dicas de dois projetos incríveis para vocês potencializarem seu amor e atitude pelos animais e pela sociedade.

Para os dog lovers de plantão, a campanha Dono Cãociente: a idéia é promover um pensamento mais racional no dia-a-dia com o pet, mantendo a cidade limpa e o bichinho saudável.
E a campanha vai além: dia 20 de Junho, a Dono Cãociente, a DeROSE e a Defesa Civil do Estado de São Paulo vão realizar a 1ª Cãominhada da Campanha do Agasalho. Aproveitando o início do inverno, a caminhada pretende reunir os donos de cachorros numa caminhada solidária tendo como entrada a doação de um agasalho.


Serviço:

1ª Cãominhada da Campanha do Agasalho
Data: 20 de Junho
Horário: a partir das 9 horas
Local: partida do Espaço Cultural DeROSE Paes de Barros (Av. Paes de Barros, 1197, Mooca - São Paulo/SP)
Ingresso: doação de um agasalho


Os amantes dos felinos vão, sem dúvida, se sensibilizar com as histórias dos gatinhos resgatados pelo pessoal da Adote um Gatinho. A ONG surgiu do interesse mútuo de um grupo de amigos em ajudar animais abandonados. Desde 2003, o pessoal da Adote um Gatinho faz um trabalho 100% voluntário, resgatando gatos e até alguns cachorros das ruas, trazendo para a ONG, alimentando, oferecendo cuidado veterinário e muito amor. A ONG já doou mais de 2200 gatinhos, mas conta com a ajuda das boas almas que compram na lojinha, fazem doações em ração, remédios e acessórios e contribuições em dinheiro. E, é claro, com os padrinhos e madrinhas e pessoas que adotam os gatinhos!

Confiram os sites e façam a diferença!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Solidariedade no Hospital Pequeno Príncipe

Por Daniella Bittencourt Féder


A companhia dos voluntários é o momento mais gostoso do dia-a-dia das crianças no hospital

No início do século XX, em pleno cenário de Primeira Guerra Mundial, um grupo de mulheres curitibanas decide criar um centro de atendimento de saúde para crianças. Assim feito, nos anos 70 o local foi consolidado como o Hospital Pequeno Príncipe, que hoje faz parte do grupo dos maiores e mais renomados hospitais pediátricos da América Latina, contando com um dos trabalhos de voluntariado com crianças mais respeitados no Paraná. O trabalho solidário realizado pelos voluntários é de extrema importância tanto para o hospital quanto para as crianças internas e, comprovadamente, contribui para a melhoria delas.

A criança interna vive em um círculo social bastante limitado dentro do hospital, do qual fazem parte, basicamente, médicos, familiares, outras internas e seus familiares e o voluntário, o agente social que tem o papel de descontrair e divertir a criança, numa relação de pura e simples amizade. Além disso, ele a auxilia no que for preciso para que o período de internação pareça mais leve. Há, inclusive, uma área de diversão dentro do hospital que só é utilizada quando pelo menos um voluntário acompanhando: a brinquedoteca. “Lá é o lugar mais legal, porque dá pra brincar com as outras crianças e fazer um monte de coisas. E todo mundo vai lá”, diz o pequeno Nicolas, de seis anos, que ficou internado no hospital durante três meses, vítima de uma pneumonia. Ele diz que, se for para voltar, só quer ficar na brinquedoteca.

Enquanto os médicos são presentes quando para a realização de exames (ah, o medo de injeção!) e a família os incentiva – aos olhos da criança, é simples assim – os voluntários têm (e mantêm) a posição de diverti-las. Contam “historinhas”, brincam, levam brinquedos e jogos, conversam... Nada que os médicos e familiares também não façam. A diferença é que os voluntários não têm qualquer tipo de “intenção médica”, ou seja, não pedem às crianças que façam exames, não explicam que eles são necessários para a melhora delas, não as distraem para que elas não se assustem ou se impressionem ao serem observadas. O momento entre os dois é um momento tranquilo e gostoso distração do ambiente hospitalar.

A procura pelo voluntariado é tamanha que há uma imensa fila de espera para quem quer participar do projeto. Luiza, que veio de São Carlos para estudar psicologia em Curitiba conta que teve sorte: “Quando fiquei sabendo do Hospital Pequeno Príncipe, vim ver se podia ser voluntária. Dois dias depois eu já estava trabalhando aqui”.

Às segundas-feiras o Pequeno Príncipe recebe o grupo de palhaços “A Trupe da Saúde”, que visita todas as crianças, uma a uma. Dentre os muitos papeis que representa, o favorito delas parece ser os “Loucologistas”, médicos atrapalhados que , como eles mesmos dizem: “levam a terapia do riso para os pacientes”.






sábado, 17 de abril de 2010

40 propostas para o Brasil

Por Daniella Bittencourt Féder



A notícia se espalhou por redes de relacionamento e chats da internet, e quem tentou acessar hoje o site do PMDB, teve uma surpresa: a página foi invadida por um hacker (supostamente contratado) e redirecionou todos os acessos para o endereço www.freewebs.com/rockinriopardo/pmdb.html. No lugar de ofensas e demonstrações de descontentamento, que combinariam com a ousadia perigosa de invadir o domínio virtual de um partido político, o conteúdo que tomou o lugar do site foi um texto - no mínimo interessante - que apresenta "40 propostas para o Brasil". Confira:


EDUCAÇÃO

1 Choque de meritocracia na educação
Mérito é premiar com promoção e aumento de salário os professores que formam mais alunos capazes de atingir boa colocação em disputas acadêmicas internacionais. O conceito é desconhecido no Brasil. Aqui quase sempre o professor recebe aumento de salário por tempo de serviço. Na ausência de outros fatores e só com a aplicação de um choque de meritocracia, o desempenho dos alunos brasileiros em matemática ficaria entre os 43 melhores do mundo, ombreando com o de Israel e Itália, e não, como é agora, em 53º lugar, ao lado do Quirguistão.

2 Convencer os pais de que eles são parte da escola
Pais educam. Escolas ensinam. Esse provérbio caducou. As pesquisas mostram que, além de um bom professor, nada melhora mais o desempenho escolar do que o envolvimento dos pais no processo educacional. É uma guerra cultural que pode ser vencida com as armas certas: a internet (os pais podem até acompanhar algumas aulas) e os cursos para pais.

3 Ampliar a rede de ensino técnico superior
O ensino de geografia, ciências sociais e outras áreas de humanas conta pouco. O fator decisivo para o progresso material está no ensino da matemática, das engenharias e da física aplicada. Apenas 8% dos jovens brasileiros se formam em algum curso superior dessas áreas – contra 18% nos países avançados. A saída é popularizar as faculdades técnicas. Nelas, em dois anos, o jovem obtém um diploma de ensino superior e tem lugar garantido no mercado de trabalho. Foi um sucesso na Coréia do Sul, que, assim, colocou um diploma e um emprego nas mãos de 80% dos jovens.

4 Fomentar a competição entre as universidades
Nenhuma universidade brasileira figura entre as 100 melhores do mundo. Não é surpresa. Elas não têm incentivo para isso. As 100 melhores do mundo lutam para sê-lo para obter financiamento. Aqui, com ou sem desempenho, as verbas públicas chegam religiosamente. Melhorar para quê?

5 Financiar os melhores pesquisadores
Apenas duas de cada 1 000 patentes registradas no mundo são brasileiras. Falta incentivo. O pesquisador brasileiro que registra patentes ganha, em geral, a mesma verba de quem não registra nenhuma. A tendência mundial é dar mais aos pesquisadores que produzem mais conhecimento original e valioso.

6 Criar currículos obrigatórios para a educação básica
Um ponto em comum entre os dez países de maior sucesso educacional, social e material do mundo é a existência de um currículo obrigatório na educação básica. Sem um currículo com metas acadêmicas bem definidas, nenhum país progride. Na maior parte do Brasil, não há esse currículo.

7 Investir na formação dos professores e de quem forma os professores
A cadeia do ensino tradicional tem alunos, professores, diretores e pedagogos. Falta uma categoria: a dos profissionais que ensinam os professores como ensinar. Apenas 20% das disciplinas nas faculdades de pedagogia se dedicam às metodologias de ensino, mostra um estudo da revista Nova Escola Fundação Carlos Chagas.


AMBIENTE

8 Mais pesquisa ambiental no Brasil
Tanto a Amazônia como as áreas de proteção ambiental no Brasil recebem pouquíssimos pesquisadores. Apesar de ocupar cerca da metade do território nacional e ser o cenário da maior biodiversidade do planeta, a Amazônia concentra apenas 5% dos pesquisadores brasileiros. Significa que há um cientista para cada 4 000 quilômetros quadrados. Apenas 10% das espécies da região estão catalogadas. Só com conhecimento profundo dos biomas brasileiros será possível criar estratégias mais eficazes para a preservação daqueles tesouros naturais.

9 Dobrar o saneamento básico em dez anos
Menos de 50% dos domicílios brasileiros são ligados à rede de esgotos. Destes, apenas 35% recebem tratamento. O restante é despejado diretamente em rios, córregos e lagos. O Brasil ainda é africano nessa área. O ministro Carlos Minc estima que tratar 70% dos esgotos até 2018 custaria 12 bilhões de reais por ano. O custo é elevado? Não em vista dos benefícios. Entregar a tarefa à iniciativa privada, por meio de concessões, é uma saída.

10 Transformar pastos em áreas produtivas
O avanço da fronteira do boi e da soja derruba oito de cada dez árvores das florestas de clima da Amazônia. Para deter esse avanço é vital ocupar áreas já desmatadas. Cerca de 16 milhões de hectares de áreas de pasto estão abandonados na Amazônia. Com sua recuperação e uso, a produção de grãos pode crescer 30% na região sem exigir a derrubada de uma única árvore. Recuperar custa o dobro do que simplesmente desmatar. Subsidiar a recuperação de áreas degradadas é a abordagem econômica mais racional.

11 Premiar prefeituras pela preservação ambiental
A degradação ambiental tem maior impacto sobre a qualidade de vida dos habitantes das cidades do que para o morador de um grotão isolado na floresta. Por essa razão, iniciativas locais de preservação são mais impactantes. É exemplar o sucesso do programa ICMS Verde, adotado no Paraná para premiar municípios com desempenho acima da média no tratamento de lixo e na conservação de bacias hidrográficas. A área preservada no estado cresceu doze vezes nos últimos dez anos.

12 Unificar as leis ambientais
O Brasil tem mais de trinta leis ambientais federais. Combinadas às regras estaduais e municipais essas leis deixam apenas 30% do território livre para a ocupação econômica. Como não temos 70% do território ocupado por paraísos ecológicos, fica óbvio o exagero das restrições. O emaranhado legal provoca insegurança jurídica, dificulta a fiscalização e cria oportunidades para a corrupção. Leis mais simples são, sempre, mais eficientes.

13 Dar independência financeira aos parques ecológicos
Os 63 parques nacionais ocupam uma área de 24,1 milhões de hectares, o equivalente ao território do estado de São Paulo. Em comum, têm o fato de ser mal administrados – são apenas 348 funcionários para cuidar de todos. Eles falham na missão preservacionista e, quando abertos à visitação, oferecem serviços precários. São como os cofres públicos para os corruptos: uma riqueza a ser apropriada pelo mais esperto. Os Estados Unidos têm oitenta vezes mais visitas pagas em seus parques. É hora de valorizar os nossos, protegê-los e mantê-los com o dinheiro arrecadado dos visitantes.

14 Criar um plano nacional de zoneamento econômico-ecológico
O governo paga aventureiros para derrubar a floresta amazônica, dando-lhes crédito destinado à atividade agrícola. Isso não se faz por maldade, mas por ignorância sobre quais são as áreas aráveis do território nacional e quais são as preserváveis. Ninguém sabe ao certo onde começa uma e acaba a outra. Muitos debates gastam horas apontando a mesma área no mapa e enxergando nela solos diferentes. O zoneamento agroclimático é ferramenta vital para planejar o desenvolvimento sustentável.

15 Tornar mais vantajoso manter uma árvore de pé do que cortá-la
Dez milhões de moradores da Amazônia Legal dependem da atividade extrativista ou agropecuária. Para eles, discurso e consciência ecológica não funcionam. Eles precisam de medidas que tornem mais vantajoso preservar do que destruir. O governo da Costa Rica remunera proprietários que conservam as matas nativas em suas terras. Um estudo mostra que, em Mato Grosso, dar 1 000 reais ao ano por hectare preservado seria estímulo suficiente para conter a devastação. É quase de graça.

16 Investir em fontes renováveis de energia
Nos próximos dez anos o Brasil precisará acrescentar produção equivalente à de três usinas de Itaipu para suprir sua necessidade de energia elétrica. O sol e os ventos abundantes no país podem oferecer parte da solução. O potencial da produção de energia eólica é estimado em dez Itaipus. A incidência solar no Brasil é o dobro da registrada na Alemanha, um dos países que mais investem nessa fonte renovável de energia elétrica.

17 Não desperdiçar energia
Para cada dólar produzido pela economia, o Brasil precisa de 40% mais de energia do que os Estados Unidos e 70% mais do que a Alemanha. Isso se deve menos ao custo de geração do que ao desperdício. O Brasil perde 16,5% de toda a energia elétrica produzida. É quase uma Itaipu que se joga fora a cada ano. Para tornar mais eficiente o aproveitamento da energia, seria preciso investir em duas frentes: programas de conscientização dos consumidores e a busca de processos industriais e equipamentos mais econômicos.


ECONOMIA

18 Reforma da Previdência já
O custo da Previdência é um dos principais motivos pelos quais o Brasil lidera o ranking mundial de juros reais e tem uma carga tributária de 36% da riqueza produzida pelo país. Ele consome 12% do PIB. Nenhum país emergente consegue crescer de forma acelerada com tamanho peso nas costas. A China e o Chile gastam 3%. A Colômbia, apenas 1%. Se a despesa previdenciária brasileira fosse de 6%, o país economizaria 180 bilhões de reais ao ano. Com esse dinheiro, as pessoas e empresas pagariam 17% a menos de impostos, com melhoria de qualidade de vida para todos

19 Criar um teto para os gastos públicos
De todos os agentes econômicos, quem gasta pior é justamente aquele que não produz nenhuma riqueza: o governo. No Brasil, os gastos do governo federal crescem, em termos reais, duas vezes mais rápido do que a economia. Dentro de quinze anos os impostos vão equivaler à metade de toda a riqueza que o país produz. É ruinoso? Sim. Reversível? Só por força superior. O aumento real do gasto público brasileiro deveria ser limitado por emenda constitucional ao teto de 1% ao ano.

20 Um Banco Central independente
Se o Banco Central brasileiro tivesse a independência assegurada por lei, a taxa real de juros cairia imediatamente até 3 pontos porcentuais – de 7% para 4% ao ano. O crescimento do país saltaria dos atuais 5% para 7% ao ano. É preciso outra justificativa?

21 Aplicar a lei de responsabilidade fiscal ao governo federal
Essa lei revolucionou o controle das contas públicas. Com ela, os estados e municípios foram obrigados a reduzir sua necessidade de financiamento em 20% desde 2001. Imune a ela, a União fez o movimento inverso e aumentou seu déficit em 79% no mesmo período.

22 Modernizar as leis trabalhistas
Ao lado de Zimbábue e Zâmbia, o Brasil ocupa a 119ª posição no ranking mundial de adequação das leis trabalhistas. Por isso, metade dos brasileiros tem ocupação informal. Uma mudança radical que extirpasse os arcaísmos custosos e corporativistas incentivaria a contratação formal com conseqüências saneadoras na Previdência (mais gente contribuindo), positivas na carga fiscal (mais gente pagando menos) e redentoras para o ambiente de negócios.

23 Tornar as agências reguladoras menos vulneráveis ao loteamento político
A certeza do cumprimento de contratos é uma das condições definidoras de um país moderno, ao lado do direito de propriedade e do ambiente de negócios. E como garantir que os governos preservem seus contratos? O mecanismo clássico, adotado e aprovado nas melhores economias, são agências reguladoras equipadas e protegidas contra a ingerência política. No Brasil há agências reguladoras, mas elas estão longe de ser imunes às pressões políticas.

24 Garantir a concorrência na exploração do pré-sal
Desde o século XVI a humanidade sabe que os recursos naturais não levam, necessariamente, ao progresso econômico e social. Isso foi aprendido com sangue no ciclo de exploração da prata e do ouro na América Latina. Foi reafirmado pelos diamantes da África subsaariana e agora o petróleo da Venezuela. É a maneira de explorar esses recursos que produz conhecimento e bem-estar. Só se obtém riqueza efetiva quando os recursos naturais são explorados de forma transparente e competitiva.

25 Poupar os dólares do petróleo
A humanidade vai um dia encontrar um substituto para esse líquido escuro e pegajoso. Enquanto isso não ocorre, é crucial utilizar as reservas com sabedoria. Se todo o potencial dos depósitos de petróleo na chamada camada pré-sal do litoral brasileiro for confirmado, o Brasil pode vir a se transformar em um grande exportador de petróleo. O que fazer com os dólares obtidos? A opção mais racional é o depósito dos lucros do petróleo em um fundo externo, gastando-se apenas parte dos rendimentos. Isso preservaria a riqueza para as gerações futuras e impediria pressões cambiais e inflacionárias desestabilizadoras.

26 Privatizar a gestão hospitalar
Hospitais administrados pelo estado são menos eficientes e tratam pior seus pacientes. No estado de São Paulo, a taxa de mortalidade em hospitais geridos diretamente pelo governo é de 5,3 em cada 1 000 pacientes e o custo de cada internação é de 400 reais por dia. Em 25 hospitais terceirizados no mesmo estado, a taxa de mortalidade cai para 3,3 por 1 000 pacientes e o gasto por internação, para 360 reais. Essas e outras estatísticas a favor da privatização da gestão da saúde são absolutamente convincentes.

27 Privatizar a infra-estrutura
Não fosse pela infra-estrutura caótica, hoje majoritariamente nas mãos do governo, o Brasil poderia contar com 250 bilhões de reais a mais no PIB – um valor equivalente ao PIB do Chile.


LIBERDADE DE IMPRENSA

28 Acabar com a Lei de Imprensa
A Lei de Imprensa foi aprovada em 1967 – plena ditadura militar. Seu objetivo era intimidar jornalistas e meios de comunicação. Numa democracia, uma lei como essa não faz sentido. Há dispositivos suficientes na Constituição e nos códigos Civil e Penal para coibir abusos nos jornais e revistas. Mas seria recomendável a criação de uma lei sucinta para delimitar o valor das ações de direito de resposta e de dano moral. Isso daria segurança jurídica aos jornalistas e às empresas que mantêm um dos pilares da democracia: a liberdade de informação.


DEMOCRACIA, RAÇA E POBREZA

29 Profissionalizar a gestão pública
A palavra burocracia nasceu com sentido positivo: um estamento dedicado à organização ágil e racional. Com o tempo a burocracia passou a ser um fim em si mesma. O público que se dane. Em estados brasileiros como São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, a burocracia começa a retomar seu sentido original. Para isso foram adotados modelos empresariais, como a orientação para resultados, a flexibilidade e a recompensa do mérito. Quando a prática se espalhar e chegar a Brasília, será o caso de comemorar um novo descobrimento do Brasil.

30 Recriar o federalismo
Com a Constituição de 1988, o governo federal passou a concentrar a receita dos impostos, e com isso usurpou uma parte do poder de estados e municípios para decidir onde investir dinheiro. Reverter esse processo daria ao governo federal o papel de coordenador e aos estados e municípios maior autonomia para atender às necessidades dos cidadãos. Pois o fato é que ninguém vive nesse espaço abstrato chamado "União".

31 Fiscalizar os programas sociais
Uma pesquisa do iBase com brasileiros no Bolsa Família mostra que 64% dos próprios beneficiários excluiriam todos aqueles que se recusassem a cumprir as poucas exigências do programa – a mais importante delas é manter o filho na escola. O mesmo estudo revela que o governo é leniente e falha ao vigiar o cumprimento das exigências. Dar dinheiro é entregar o peixe. Cobrar a contrapartida é ensinar a pescar.

32 Inserir os pobres no mercado de trabalho
A melhor coisa que programas assistencialistas podem fazer por um miserável é transformá-lo num trabalhador capaz de prover as próprias necessidades. Dar qualificação profissional a quem nunca a teve, ou criar programas de microcrédito, que transformam excluídos em pequenos empreendedores, é mais que um paliativo. É uma cura real da pobreza.


MEGACIDADES

33 Eliminar as favelas da paisagem
Nas cidades do país, 12,3 milhões de pessoas vivem em casebres, a maioria deles em situação irregular. Se nada for feito, em 2020 haverá 55 milhões de favelados – praticamente uma Itália – no Brasil. É preciso revogar a negligência e o populismo que permitem o surgimento de favelas. No caso das já existentes, eliminar as que estão em área de risco ou proteção ambiental. Conferir títulos de propriedade é um primeiro passo para a urbanização dessas chagas das grandes cidades.

34 Superprefeitos para as regiões metropolitanas
Os prefeitos das cidades que fazem parte de uma região metropolitana são como condôminos que jamais se reúnem para discutir os problemas do prédio onde moram. São Paulo é um exemplo dramático. A prefeitura não consegue limpar o Tietê porque Guarulhos não tem rede de esgoto tratado e despeja imundície no rio. Um superprefeito seria como um síndico eficiente. Com perfil técnico, poderia coordenar o uso da água, o saneamento, o destino do lixo, a unificação do transporte entre cidades. Quem escolheria o superprefeito? O governador do estado.

35 Combater o tráfico de drogas com realismo
O tráfico de drogas é o principal responsável pela criminalidade no Brasil. No Rio de Janeiro, os barões da cocaína controlam 300 das 752 favelas. Não é possível extirpar a droga do cotidiano urbano, mas dá para diminuir as taxas de violência associadas a ela. Para tanto, urge eliminar o caráter territorial do tráfico brasileiro. É pelo controle de áreas geográficas, nas quais também exploram outros serviços tão lucrativos quanto ilegais, que os bandos se digladiam. Há mais cocaína em Nova York do que no Rio, mas lá os traficantes não têm feudos a defender ou tomar. Circulam para vender o seu único produto.

36 Planejar o crescimento
As cidades médias, com população entre 100 000 e 500 000 habitantes, são as que mais crescem no Brasil. Como resolver um problema urbano custa 100 vezes mais do que preveni-lo, é óbvio o ganho em se planejar a expansão dessas cidades. As prefeituras devem estabelecer regras férreas sobre o que pode ou não ser feito em termos de ocupação do solo, tendo em vista o futuro almejado para seus municípios.

37 Tirar a majestade do carro
No Primeiro Mundo, progresso é transporte coletivo de qualidade e restrição severa à circulação de carros, por meio de medidas como rodízio e pedágio. O Brasil está na contramão, porque suas cidades continuam a reduzir o espaço para pedestres, a ampliar as vias para automóveis particulares e a tratar o transporte público com descaso. São Paulo, onde já rodam mais de 6,1 milhões de carros, pode parar de vez em 2015.

38 Organizar o transporte coletivo
O Brasil é o lugar em que eufemismos viram solução de governo. É o caso do chamado transporte alternativo. A palavra correta é "ilegal". No Rio de Janeiro, a bandalha já superou os serviços regulares. Circulam na cidade 7 500 ônibus de empresas formais e 8 000 vans ilegais. Estabelecer um sistema integrado de transporte é a melhor forma de evitar a invasão de perueiros e assemelhados.

39 Conferir aos ônibus o padrão de metrô
Nos pontos de ônibus londrinos e parisienses há luminosos que informam em quanto tempo chegará o próximo carro de cada linha. A margem de erro é muito pequena, mesmo no horário do rush. É a prova de que o serviço de ônibus pode ser pontual, rápido e guardar intervalos curtos entre as partidas. Para seguirem o exemplo, as cidades brasileiras precisam criar corredores exclusivos.

40 Não se intimidar com os desafios
Quando se fala em problemas urbanos, surgem cifras que, não raro, paralisam as administrações e os cidadãos. Mas sempre é possível encontrar soluções baratas. Curitiba tornou-se referência de transporte público sem gastos excessivos. Também se deve levar em conta que parte dos custos embute a corrupção. São Paulo e Cidade do México começaram a construir metrô no mesmo período. A primeira conta, hoje, com 60 quilômetros de linhas. A segunda, com 200. O quilômetro escavado paulistano custa 500 milhões de reais. O mexicano, 90 milhões. E olhe que a Cidade do México enfrenta terremotos...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

eco4planet, buscador ecológico da Google

Por Daniella Bittencourt Féder



A Google lançou recentemente um site de buscas com as mesmas tecnologias do popular www.google.com.br, mas com uma novidade: é ecológico. Há cerca de um mês o "eco4planet" (www.eco4planet.com/pt) promete plantar uma árvore a cada 50.000 acessos, e a quantidade de árvores já plantadas por conta disso, é exibida na página inicial do site - seguida do número de acessos que faltam para a próxima.
Outro ponto interessante é que o fundo preto da página é menos agressivo aos olhos que os fundos claros, e ainda gera uma economia de aproximadamente 14 watts por acesso - ou 20% da energia gasta comumente com o fundo branco.

(Clique na imagem para melhor visualizá-la)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Convite - Exposição do Grupo Um

Por Daniella Bittencourt Féder


Exposição mostra obras inéditas de Borges, Rene, Érico, Roza e Massuda.

Todos os leitores do atualize estão convidadíssimos a visitar a exposição do Grupo Um.

O Grupo Um - ou GUM, como também é conhecido- foi o grupo independente formado pelos artistas plásticos Alberto Massuda, Álvaro Borges, Érico da Silva, Waldemar Roza e Rene Bittencourt, responsáveis pela popularização e por uma nova visão da arte moderna no Paraná.
A exposição acontecerá no Espaço Cultural e Gastronômico Alberto Massuda, em Curitiba, do dia 30 de julho (abertura às 20h) ao dia 3 de outubro. Durante este período acontecerão paralelamente duas mesas redondas que discutirão os temas "Grupo Um e o modernismo no Paraná" e "Os artistas do Grupo Um".


Para mais informações sobre o Grupo Um e a exposição, segue o release do evento:

Uma exposição inédita abre no próximo dia 30, em Curitiba, e coloca à mostra obras, de coleções particulares, de cinco dos mais inquietos artistas plásticos paranaenses. Intitulada “Tributo à arte moderna do Paraná”, a exposição é uma homenagem aos criadores do Grupo Um que, na década de 60, revolucionou e buscou um novo caminho para as artes plásticas no Estado. Alberto Massuda (nascido no Cairo, Egito), Álvaro Borges (pontagrossense), Érico da Silva (de Indaial, Santa Catarina), Rene Bittencourt e Waldemar Roza (ambos curitibanos) se cansaram da mesmice no cenário de artes plásticas de Curitiba e resolveram que era o momento de tirar a arte das galerias, dos círculos mais restritos e mostrar o que se fazia de novo em arte. Assim, em abril de 1966, num imóvel desocupado na Praça Tiradentes, os criadores do Grupo Um, organizam sua primeira exposição e levam a arte para todos.

Este movimento de contestação mostra, aos “donos” da cultura paranaense que existe arte fora dos círculos oficiais. E, a cada exposição que faziam, dividiam espaço com novos artistas que davam seus primeiros passos e buscavam visibilidade. Assim foi com os artistas plásticos Luiz Carlos de Andrade e Lima, Antonio Arney, Domício Pedroso e Wilson Andrade e Silva, entre outros. O Grupo Um, dentro de sua proposta, durou pouco, mas os cinco artistas, sempre amigos e companheiros, continuaram a dividir pinceladas, conversas, exposições e trabalhos, e conseguiram mudar o cenário das artes plásticas paranaense, já que com suas obras conquistaram conceito no mercado nacional e internacional. Todos os cinco tem obras espalhadas pelos cinco continentes.

Fernando Bini, crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) e da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), que acompanhou a vida, tanto particular quanto profissional de todos do Grupo Um, coordena esta exposição. Segundo ele, com estes cinco artistas “começa no Paraná uma produção muito rica, de ruptura com os elementos tradicionais das artes plásticas, questionando os seus mecanismos internos. Não é mais o modelo que importa, mas o discurso sobre sua própria especificidade”.

Da obra de cada um, Bini diz: “A pintura de Álvaro Borges trazia qualquer coisa de mágico, ao mesmo tempo que era mística e ingênua, muitas vezes lembrando Paul Klee; as telas de Alberto Massuda cujas figuras oníricas são imagens do inconsciente, deixavam clara uma espécie de lirismo da angústia; Érico da Silva que saiu do cubismo pelo caminho do ‘divisionismo’, chegou ao ‘abstracionismo’ lírico em 1962, sem medo de usar a matéria pictórica; René Bittencourt, de tendência ‘expressionista’ capta o folclore urbano de Curitiba e Waldemar Roza um abstrato ecológico, compõe ‘assemblagens’ com os ‘objets trouvés’ da natureza, fósseis, ossos, conchas, pedras e mesmo pássaros mortos”.

O ineditismo deste “Tributo à arte moderna do Paraná” é que muitas das telas que estão na mostra, que prossegue até 3 de outubro no Espaço Cultural e Gastronômico Alberto Massuda, nunca foram expostas, nunca participaram de nenhuma exposição ou estiveram em espaços públicos. São obras de família. Sobre isto Bini relata que “além da grande colaboração artística do Grupo Um, as famílias se ligaram com laços afetivos e, agora, depois de 45 anos de criação do Grupo, os filhos e netos desses artistas resolvem recordar aqueles momentos, e promovem uma exposição com debates sobre a importância deste movimento no início da arte moderna paranaense”. Além da exposição histórica, com o resgate dos nomes de cinco dos mais importantes artistas plásticos do Paraná, estão marcadas duas mesas redondas, a partir das 20h. A primeira, dia 6 de agosto, reúne Adriano Massuda, Bini, Vera Mussi, Fernando Velloso e Max Conradt, que abordarão o tema “Grupo Um e o modernismo no Paraná” e a outra, a 3 de setembro, sobre “Os artistas do Grupo Um” terá Bini, Xenia Rosa, Fernando Calderari, Nilza Procopiak e João Osório.

Serviço:
Tributo à Arte Moderna do Paraná
De 30 de julho (abertura às 20h) a 3 de outubro
Horários: de segunda a domingo, das 11h30 às 14h30, e segunda a sábado, das 19h à meia-noite
Local: Espaço Cultural e Gastronômico Alberto Massuda (Rua Trajano Reis, 443 - Curitiba)
Contato: (41) 3076-7202

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mega Bazar Lúdica

Nesse final de semana acontece o Mega Bazar Lúdica, na Casa Vermelha - localizada no Largo da Ordem, em Curitiba. O evento reúne cultura, música, design, moda, artes plásticas, gastronomia, lojas (que vendem desde roupas e acessórios até mobiliários e objetos de arte), ação social (parte do valor de entrada será revertida ao Hospital Erasto Gaertner) e até um ateliê de serigrafia e um concurso (saiba mais clicando aqui). Desde dezembro de 2007, quando foi realizada sua primeira edição, o MBL vem conquistando cada vez mais público. O sucesso é tanto que o evento já está até no calendário cultural de Curitiba com suas duas atrações anuais, em junho e em dezembro. O objetivo do evento é "apostar na criatividade como matéria-prima, além de divulgar o trabalho de seus expositores e parceiros".

A programação do MBL é a seguinte:

Sexta, 05/06
18 às 19h - Jô Mistinguett e Manolo Neto (Pocket Show)
19 às 20h - Sandra Carraro
20 às 21h - D'niel Brand - CHRIST Dj Academy
21 às 22h - Franck de Pádua - CHRIST Dj Academy

22 às 23h - Willian Bordignon - CHRIST Dj Academy


Sábado, 06/06
15 às 16h - Denis Pedroso
16 às 17h - Gisa Gabriel
17 às 18h - Gil Riquierme
18 às 19h - Barbarella & Daniel Peixoto (MONTAGE)
19 às 19h15 - MBL Fashion trilha by Jô Mistinguett
19h30 às 20h15 - Paola Petit - CHRIST Dj Academy
20h15 às 21h15 - Gustavo Tomasi - CHRIST Dj Academy
21 às 22h – Concurso “Você no Line Up!”

22h15 às 23h - Wszolek - CHRIST Dj Academy


Domingo, 07/06
10 às 11h – Rafa - trip hop/nujazz/nufunk
11 às 12h - Random 14
12 às 13h - Débora Mello
13 às 14h - Joel Guglielmini
14 às 15h – Feiges
15 às 16h – Hatta - CHRIST Dj Academy
16 às 16h30 – Coreografias de SwáSthya Yôga
16h30 às 17h15 - Tamborim (Live PA) - CHRIST Dj Academy

17h15 às 18h - Inside Your Mind (Live PA) - CHRIST Dj Academy


MBL Bandas
18h - Loop Le Monkey
19h - Felix Bravo
20h – Sabonetes



Mais? Clique aqui.

domingo, 31 de maio de 2009

Mercadorama x sacolas plásticas

Por Daniella Bittencourt Féder


Ontem fui ao Mercadorama, supermercado da rede Wal-Mart (inclusive foi exatamente este Mercadorama da fotografia), comprar uns detalhezinhos para um queijos & vinhos que aconteceu aqui em casa, no qual recebemos dois parentes de Niterói que eu ainda não conhecia. Após enfrentar a enorme fila do caixa, mecanicamente a atendente foi rápida em pegar uma sacolinha plástica para embrulhar minhas compras, e o fez antes mesmo de passar os produtos pelo leitor de código de barras. Não hesitei em dizer que não era necessário pois, como sempre, guardaria as compras na bolsa, onde caberiam perfeitamente. E eu ainda evitaria aumentar a imensa "coleção" de sacolas plásticas da minha casa. Ao pagar, a surpresa: foram descontados três centavos de minha conta, o que a tela do computador registrava como "bônus". Foram "só" três centavos, mas de três em três... E que não reclamem de falta de incentivo!

domingo, 24 de maio de 2009

mostra/acessórios terá ênfase na sustentabilidade

Por Daniella Bittencourt Féder

De 13 a 16 de julho acontecerá a 12ª edição da mostra/acessórios, com o tema Primavera/Verão 2009/10, na cidade de São Paulo. Débora Gelman, uma das empresárias responsáveis pela feira, disse que a preferência é da reciclagem e de ONGs que realizam trabalhos em comunidades carentes. Os expositores apresentarão jóias, bijouterias, roupas, bolsas, objetos de decoração, papelaria e muito mais. Durante o evento, o desperdício e o consumo de energia elétrica serão evitados ao máximo e as garrafas PET consumidas serão reaproveitadas em usinas de reciclagem.


Serviço:

mostra/acessórios - 12ª Edição Primavera/Verão 2009/10

De 13 a 16 de julho 2009

Horários: das 10h às 20h nos dias 13 a 15 de julho e das 10h às 19h no dia 16 de julho.

Local: Centro Fecomercio de Eventos (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - São Paulo/SP)


Mais informações: mostraacessorios.blogspot.com

sábado, 29 de novembro de 2008

Buy nothing but this idea



Hoje é o Buy Nothing Day, dia de protesto contra o consumismo. Criado em 1992 pela ONG Adbusters, a intenção do dia mundial sem consumir seria alertar para o excesso de consumismo, segundo Kalle Lasn, o fundador da entidade.
O mais interessante é que Lasn e sua equipe deturpam campanhas publicitárias famosas para divulgar sua idéia. São os "spoofs campaigns", nas quais o foco são famosas indústrias de bebidas, cigarros, moda no geral, alimentos e por aí afora.


Fonte: www.buynothingday.org

fonte: www.google.com


Buy Nothing Day atinge 65 países, de acordo com Lasn. Mas até agora não foi possível medir o impacto das ações da ONG. O que se sabe é da sua popularidade entre universitários (aqui eu assino embaixo!) e da boa imagem de seu fundador que chega a ser, em alguns meios, tão famoso quanto o cineasta-ativista Michael Moore.

Dentre outras campanhas, Adbusters faz, em abril, a Mental Detox Week: uma campanha que leva seus adeptos a não ligarem a TV, DVD, MP3 e plataformas de jogos por uma semana. A pretensão é abalar o comércio e levar a verba publicitária a nocaute.

"Ontem não comprei um hambúrguer do McDonald's. Estava faminto, saindo de uma reunião e a caminho de outra, e passei ao lado de uma lanchonete da rede. De verdade: eu estava doido para comer uma porção de fritas e um Big Mac. Mas me controlei. Afinal, são mais de 17 anos de treino, dia após dia, contra mim mesmo e minhas vontades. Isso é o fundamental: treinar. Vai levar um bom tempo, mas não se preocupe. Treine que você consegue."

"Consumo é doença. Foi a onda consumista que levou o planeta à mudança climática e, finalmente, agora, nos levou a esta enorme crise financeira e econômica que estamos vivendo, a maior de toda a história da humanidade.
"
Kalle Lasn para o jornal Folha de São Paulo (29 de novembro de 2008)


Comprem essa idéia!


ADBUSTERS
CASSEURS DE PUB
LIMITV
R.A.P. (RESISTANCE A L'AGRESSION PUBLICITAIRE)
UNPLUG YOUR KIDS
WHITE DOT

Fonte: Folha de São Paulo (29 de novembro de 2008)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Chove chuva, chove sem parar...

Me dei conta: o aquecimento global existe.
Infelizmente, conseguimos perceber isso aqui no Brasil, e o pior: bem perto de nós.

Hoje, em Santa Catarina, mais de 100 pessoas estão mortas, 19 desaparecidas,
27.410 desabrigadas e 51.297 desalojadas. Antes de eu resolver fazer este post, não tinha idéia que a situação era tão feia. Resolvi pesquisar. Fiquei apavorada. Parecia que eu estava lendo sobre algum furacão ou terremoto nos EUA.

Sabemos muito bem que esta chuva não é normal. Que esta catástrofe natural teve uma ernome contribuição humana. E cada vez mais veremos coisas deste tipo se não pararmos pra (pensar? não, não...) agir!


Temos várias maneiras de agir, mas neste momento o mais importante é ajudar nossos vizinhos catarinenses. Todos os tipos de ajuda são bem vindos: dinheiro, alimento, roupas, cobertas, móveis, etc... Para fazer doações é só procurar a prefeitura da sua cidade. Aqui em Curitiba já vi várias lojas e supermercados agindo como pontos de coleta.
A defesa pública divulgou alguns números de contas para o recebimento de doações em cash (mas sei lá, né, aqui no Brasil mandar dinheiro pra alguma conta é quase a mesma coisa que não mandar nada). Mas, para quem preferir, é uma opção.

Mas para quem não puder ou não quiser colaborar, pelo menos faça o básico. Aquelas coisas que já estamos cansados de ouvir, mas que são super necessárias.



Ajuda: http://www.grzero.com.br/como-ajudar-as-vitimas-de-santa-catarina




Rua Minas Gerais, no Morro do Meio, em Joinville
Foto: Rogério da Silva. Fonte: www.zerohora.com.br




"Você que tem medo de chuva
você não é nem de papel
muito menos feito de açúcar
ou algo parecido com mel
Experimente tomar banho de chuva
e conhecer a energia do céu
a energia dessa água sagrada
Que te abençoa da cabeça aos pés"
Falamansa.



E pensar que tomar banho de chuva, ainda mais no verão, costumava ser uma coisa maravilhosa...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O limite está além do céu...


Acho que todo mundo teve um amigo músico, desde aquele que tocava violão nas aulas vagas até aquele que tocava num barzinho. Mas eles sempre tinham uma característica em comum: a vontade de um dia serem aplaudidos de pé.
Eu vivia um sonho assim. Não meu, de um amigo (meu namorado!). Conheci o Bruno há dois anos, através da banda RUDAH (uma banda de reggae), da qual ele é o vocalista. Na época ele fazia show toda semana, e eu achava aquilo 'O' máximo, mas com o tempo descobri que os shows do Bruno não lhe rendiam um salário mínimo. Ele não podia viver da música.

(Neste post não irei me aprofundar na reclamação sobre a falta de incentivo pra arte, ou como artistas [músicos, no caso] curitibanos não conseguem se destacar no cenário nacional.)

A banda RUDAH ficou parada por dois (longos) anos, sem fazer shows. Em vários momentos achei que o Bruno tinha desistido do seu sonho, que a banda havia acabado. Cada integrante foi pra um lado. Alguns até sairam da banda, mas tudo foi por um motivo...
Pela vontade de virar 'MÚSICO', de viver disso, de criar, de fazer as pessoas se sentirem tocadas ao ouvir suas músicas. Já era hora de parar de aceitar qualquer showzinho e começar a tocar pra VALER...
Ontem eles estavam no estúdio finalizando a gravação de algumas músicas do tão esperado CD. Será que existe motivo melhor do que este? Com certeza sim, mas agora a banda RUDAH não irá esperar mais dois anos. A hora deles é agora. Agora a banda RUDAH está com várias propostas de shows no Brasil e fora.

Chega de sobreviver de um sonho. Está na hora viver, se sustentar, e sonhar muito mais!


http://bandasdegaragem.uol.com.br/radio/v2/index.php?acao=musica&id=55474

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Gatos dão lugar a ratos

Por Daniella Bittencourt Féder


Foto: SuperNega, por Paula Barbosa


Há alguns anos eu e meus vizinhos dividíamos o bairro com gatos. Eu, particularmente, adorava! Cheguei a adotar alguns que, por adoração à rua e aos telhados ou talvez por simples instinto felino, não me aceitaram como dona. Mas eram todos muito bem cuidados e respeitados - por mim e boa parte da vizinhança. Eram.

Gatos podem se mostrar muito independentes quando não domesticados: não precisam de ninguém que lhes dê carinho, comida e uma caixinha de areia. E a prova disso está começando a aparecer por aqui.

Para explicar, preciso contar um caso que não aconteceu com o amigo de um amigo meu. Eu deveria ter lá os meus 14 anos quando naquela madrugada voltava, de carona com o irmão da amiga que me acompanhava, de uma das minhas primeiras "baladas". Era uma festa de halloween - lembro-me bem de estar vestida mais à caráter do que pedia a ocasião, e queria chegar logo em casa para contar cada detalhe de minha excitante noitada à minha mãe, que deveria estar me esperando - impaciente, imagino. À medida em que o automóvel subia a ladeira e se aproximava do meu portão - numa velocidade tranquila demais para competir com minha ansiedade - eu me preparava para descer: conferia celular, identidade e maquiagens escuras dentro da bolsa e vestia meu agasalho - uma tenebrosa capa preta. Ao estacionarmos, senti meu coração pular num sentimento repentino, afobado e cauteloso. E, infelizmente, não era a emoção de chegar da minha primeira saída sem a companhia de um adulto ou uma prima mais velha: lá estava o meu gatinho, François, estirado no gramado de recepção da minha garagem, com algo que parecia uma mistura de vômito com sangue escorrendo de sua pequena boquinha aberta e de seus ouvidos. Angustiadamente, reprimi qualquer reação (nada faria sem o veredito da mamãe, bem como não me deixaria deseqüilibrar na presença de terceiros). Movida pelo medo da dor da perda, fiz-me acreditar que François apenas dormia após um passeio de "evacuação" e, movido pela indigestão de alguma comida que não deveríamos ter-lhe dado, sofreu de um trivial mal-estar. Mas não. Estava morto.

Naquela noite eu chorei, seguindo acordada por mais várias longas horas nas quais relembrava de momentos agradáveis - e também engraçadamente desagradáveis - com meu bichinho. Mamãe se sentiu culpada: disse que o havia soltado para que entrasse comigo quando eu chegasse; mas serviu-me um chazinho calmante que foi o meu "nana neném".

Não quis acordar no dia seguinte. Acho que bloqueei minha fome para não ter que descer e dar a notícia para meu irmão mais novo e o papai. Também não queria pensar que o "cadáver" ainda poderia estar esperando por uma última lágrima minha, ali no gramado da frente de casa. Descobrimos que François fora envenenado.

Alguns meses (e muitos envenenamentos de gatinhos) depois, era raro ver quatro patinhas silenciosas caminhando pelas ruas. Nem mesmo os "points felinos" (lugares onde era fácil encontrá-los para brincar) eram mais freqüentados. E hoje, então, estão às moscas. Literalmente.

Nesta segunda-feira (dia 03), eu voltava da faculdade com meu namorado quando vimos, na quadra de baixo da qual eu moro, uma cena digna de um documentário sobre o reino animal: um gavião devorando o corpo, então mutilado, de um cachorro. Ficou a dúvida de se o pássaro, de espécime não muito comum aqui na região, havia o caçado sozinho (uau!) ou não. Nos aproximamos do "acontecimento" e surpreendi-me: o "cachorro" era, na verdade, um
rato (ou ratazana, sabe Deus) do tamanho de um teclado de computador!

Agora temos roedores tamanho família na vizinhança, e onde estão os gatos para comê-los? É lógico que não há mais gatos, caso contrário não haveria ratos.

É certo que, na época dos envenenamentos, cada qual guardava suas suspeitas de quem era o "serial killer de felinos", mas de que adianta isso agora? Bom, vai ver o sujeito goste muito de roedores. MAS POR QUÊ LOGO RATOS? Eu tenho um chinchila! E também existem porquinhos-da-índia, furões, hamsters... !

Eu, particularmente, recuso-me a oferecer pãozinho com leite (ou queijo) aos ratos que se enfiarem em meu quintal.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

To be or not to be

A impulsividade deveria ser inerente a todo ser humano.

É. Eu estou cercada de pessoas reprimidas - como minha mãe, por exemplo - e percebo como elas são tristes e, muitas vezes, sozinhas. É óbvio que as origens dessa consternação, na grande maioria dos casos, são inúmeras, mas acredito que a impulsividade é uma maneira de lutar contra a mesmice melancólica da rotina que afeta todos nós.
Porque as pessoas mais apaixonantes são sempre aquelas imprevisíveis, surpreendentes, com aquela espécie de determinação ou força de vontade que é tão incontrolavelmente presente que se transforma num brilho constante no olhar. E é isso, meus caros, que realmente não tem preço.

Então houve este belo dia, mais conhecido como anteontem, no qual eu acordei e decidi que era uma boa hora pra abrir um pouquinho mais minhas asinhas de recém-18-anos e arriscar um vôo mais alto.
Era um plano de longa data, esse de fazer uma tatuagem. No meu aniversário, guardei boa parte do dinheiro que ganhei pensando nele. Mas não era nada certo. Nem data, nem hora, nem mesmo em que lugar do corpo ou até o quê eu faria. Tudo muito fora do meu próprio padrão de significados absurdos e profundos por trás de datas e horas, pensamentos e fatos. Quando me dei conta (ou nem tanto), dizia para o tatuador: "Sim, pode ser pra amanhã às 10:30".
And so it was. Lá estava eu, de costas para ele que colocava e limpava várias vezes o stencil da minha frase. "respons'amici, se dedit flamini" era ela, que juntava uma tradução do inglês para o latim do refrão de Blowing in the Wind, (que é, no original: "The answer, friends, is blowing in the wind"), do Bob Dylan, com minha paixão pelas duas línguas (por todas elas, na verdade) e por ambigüidades.
Mas isso tudo tinha também um quê de revolta e daquele desejo, típico adolescente, de liberdade e independência; aquele grito seco que machuca a garganta mas ecoa só dentro de você. Eu estava ali, escondida do mundo, fazendo algo que meus pais, extremamente conservadores, jamais aprovarão, além de uma lista de outras situações adversas pelas quais estou passando que facilmente impediriam qualquer outra criatura em sã consciência de tal atitude. Não, não. Era coisa certa, e era assim que eu me senti e sinto. Finalmente, deitei naquela maca de couro preto com a maior certeza do mundo, acompanhada por três das pessoas que levam consigo uma grande parte do meu ser (que representaram muitas outras, infelizmente ausentes naquele momento). A dor, as reações, as feições preocupadas e surpresas eram somente conseqüência daquela atitude e do que eu mesma sou: impulsiva.

Pra quem quiser escutar:



quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Música, arte e uma pitada de anarquismo


Moro há três anos em frente ao Museu Oscar Niemeyer (MON) e sempre reclamei dele. Achava que era uma puta estrutura vazia e sem muitas atrações. Me sentia ofendida por ter que esperar três meses (ou mais!) por novas exposições.

Eu olhava para a arquitetura do museu , aquela puta obra de arte, e me lamentava por raramente ver gente de idade próxima à minha por ali. E então comecei a culpar o governo, o que sempre é o mais fácil de fazer. “Este governo não se importa com a arte, não investe no Museu”, “não há projetos para jovens aqui”, “apenas turistas visitam o museu”. Ou culpava um pouquinho a sociedade, como de praxe também: “Curitiba é uma cidade sem cultura e ninguém se importa com isso”.

Pra minha alegria e surpresa, presenciei nesta semana uma linda cena no MON: estava deitada na grama, lendo, aproveitando um raro dia de sol em Curitiba. Na minha frente havia um grupo de jovens tocando vários instrumentos musicais: violão, flauta e alguns instrumentos de percussão dos quais não sei o nome. Ao lado deles estava um rapaz praticando malabares com uma bola de acrílico, seguindo o ritmo da música. Até ai já estava perfeito, ou quase: uma hora depois, chegaram duas garotas que começaram a dançar e ensaiar alguns passos ao belo som dos jovens músicos.

Não me importei em não estar participando da cena, de ser apenas espectadora. Foi o melhor papel que pude ocupar. Deixei de lado todas aquelas minhas teorias sobre o governo e me permiti ser um pouquinho anarquista: “Quem precisa do governo? Quem? Nós ocupamos os lugares, ninguém precisa nos dizer aonde temos que ir ou não. NÓS sabemos, e fazemos arte onde queremos. Que se dane a falta de investimento”.
Sempre dizem que a juventude é o futuro do país e, pelo menos no quesito artístico, vejo que isso é possível em Curitiba.

O cenário do MON mudou muito nos últimos 3 anos, e fico feliz por ter acompanhado isso. Espero que muitos outros cenários curitibanos também mudem nos próximos 3. Espero ver cada vez mais lugares sendo tomados pela arte, pelos jovens, pelo "futuro". E sei que quem vive em Curitiba já sentiu a necessidade de ocupar novos lugares. Espero também que muitos tenham o prazer de presenciar as mesmas mudanças (ou outras ainda, quem sabe melhores!) que eu tive o prazer de admirar.