domingo, 18 de janeiro de 2009

NAO, o Novo Acordo Ortográfico

“Gosta de sentir a minha língua roçar, a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar, e quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias que encurtem dores, e furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa, da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior? E deixe os Portugais morrerem à míngua
'Minha pátria é minha língua'
Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica, latim em pó
O que quer, o que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas e o falso inglês 'relax' dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda

(...)

Se você tem uma idéia incrível, é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
'Blitz' quer dizer corisco, Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria, e eu não tenho pátria, tenho mátria e quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica, ótica futura

(...)

E deixa que digam, que pensem, que falem
Língua, Caetano Veloso



O Novo Acordo Artográfico saiu do papel - ou melhor, entrou no papel - há 18 dias, passados 18 anos de sua elaboração. O Brasil foi o primeiro país entre os que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) a adotar oficialmente a nova grafia. Aproximadamente 0,45% do vocabulário brasileiro foi modificado. Nos demais países, que adotam a ortografia de Portugal (Angola, Timor-Leste, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe), o percentual é de 1,6%. Veja abaixo quais são as mudanças no português brasileiro:


HÍFEN
Não se usa mais:
1. quando o segundo elemento começar com
"s" ou "r", devendo estas consoantes ser duplicadas como em "antirreligioso", "antissemita", "contrarregra", "infrassom". Exceção: deve-se manter o hífen quando os prefixos terminam com "r" - ou seja, "hiper-", "inter-" e "super-" - como em "hiper-requintado", "inter-resistente" e "super-revista";
2. quando o prefixo terminar em vogal e o segundo elemento começar com uma vogal diferente. Exemplos: "extraescolar", "aeroespacial", "autoestrada".

TREMA
Inutilizado, a não ser em nomes próprios e seus derivados.

ACENTO DIFERENCIAL
Não se usa mais para diferenciar:
1. "pára" (flexão do verbo "parar") de "para" (preposição);
2. "péla" (flexão do verbo "pelar") de "pela" (combinação da preposição com o artigo);
3. "pólo" (substantivo) de "polo" (combinação antiga e popular de "por" e "lo");
4. "pélo" (flexão do verbo "pelar"), "pêlo" (substantivo) e "pelo" (combinação da preposição com o artigo);
5. "pêra" (substantivo), "péra" (substantivo arcaico) e "pera" (preposição arcaica).

ALFABETO
Passa a ter 26 letras ao incorporar "
k", "w" e "y".

ACENTO CIRCUNFLEXO
Não se usa mais:
1. nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. A grafia correta será "creem", "deem", "leem" e "veem";
2. em palavras terminados em hiato "oo", como "enjôo" ou "vôo", que se tornam "enjoo" e "voo".

ACENTO AGUDO
Não se usa mais:
1. nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia";
2. nas palavras paroxítonas, com "i" e "u" tônicos, quando precedidos de ditongo. Exemplos: "feiúra" e "baiúca" passam a ser grafadas "feiura" e "baiuca";
3. nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com "u" tônico precedido de "g" ou "q" e seguido de "e" ou "i". Com isso, algumas poucas formas de verbos, como "averigúe" (averiguar), "apazigúe" (apaziguar) e "argúem" (arg(ü/u)ir) passam a ser grafadas "averigue", "apazigue", "arguem".



E no português lusitano:



USO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS
  1. os meses do ano e os pontos cardeais devem ser escritos em minúsculas ("janeiro", "fevereiro" e "norte", "sul", etc.);
  2. pode-se usar maiúsculas ou minúsculas em títulos de livros, no entanto a primeira palavra será sempre maiúscula ("Insustentável Leveza do Ser" ou "Insustentável leveza do ser");
  3. também é permitida dupla grafia em expressões de tratamento ("Exmo. Sr." ou "exmo. sr."), em sítios públicos e edifícios ("Praça da República" ou "praça da república") e em nomes de disciplinas ou campos do saber ("História" ou "história", "Português" ou "português").

A SUPRESSÃO DE CONSOANTES MUDAS

Tal como o nome indica, leva ao desaparecimento de consoantes, em que o critério para tal é a sua pronúncia.

  1. cc - ex.: "transacionado", "lecionar". Mantém-se em "friccionar", "perfeccionismo" por se articular a consoante.
  2. - "ação", "ereção", "reação". Mantém-se em "fricção", "sucção".
  3. ct - "ato", "atual", "teto", "projeto". Mantém-se em "facto", "bactéria", "octogonal".
  4. pc - "percecionar", "anticoncecional". Mantém-se em "núpcias", "opcional".
  5. pt - "Egito", "batismo". Mantém-se em "inapto", "eucalipto".
  6. - "adoção", "conceção". Mantém-se em "corrupção", "opção".


Atualmente, mesmo sendo a quinta* língua mais falada no mundo, o português ainda não se tornou uma das línguas oficiais de órgãos internacionais como a ONU. Isso porque todos os documentos publicados em português têm que ser disponibilizados em duas vias: português brasileiro e português de Portugal.

Procurei relatos de brasileiros e portugueses acerca do tema. Selecionei alguns que, acredito, representam o quadro geral opinativo dos falantes do português sobre o NAO (que sigla sugestiva, huh?):

"Essa colaboração é de extrema importância se os países lusófonos quiserem que a Língua Portuguesa ganhe destaque mundial. (...) Essa é uma medida de política de idioma que, além de dar importância para a Língua Portuguesa, facilitaria a difusão e troca de publicações entre países lusófonos, favorecendo, inclusive, os países mais pobres no recebimento de reforço de material didático. (...) Essa reforma é de extrema importância porque é a primeira feita pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em conjunto, e não individualmente".
Stella Maris Bortoni-Ricardo, brasileira, lingüista e membro da Comissão de Língua Portuguesa (COLIP)

"(...) O que me parece é que existe algo mesquinho e egoísta que não deixa perceber que não se trata de uma briga pela legitimidade linguística, estamos nos adaptando necessidades de sobrevivência do mundo atual. O que somos nós, lusófonos, comparados às potencias anglossaxã e hispânica? Talvez juntos passemos a ser mais do que sozinhos…"

Gustavo Saporetti, brasileiro


"(...) O que se pretende com essa reforma, é caminhar no sentido de uma necessária unificação da forma escrita. Observações xenófobas ou pseudo patrióticas, bem como alguns quererem se apropriar do idioma (vale para alguns brasileiros e portugueses), sejam quais forem as razões, só tendem a fazer naufragar o pequeno avanço que a comunidade usuária da língua poderá dar com a implementação do acordo. (...) A constatação que faço como usuário da língua, é que a reforma é necessária, a despeito de a julgar muito tímida com vistas a pretendida unificação. Ou melhoramos e avançamos nesse processo, ou num futuro não muito distante efetivamente o português do Brasil nada mais terá em comum com o de Portugal. (...)"

Osni Boeing, brasileiro


"A reforma ortográfica vai ampliar a cooperação internacional entre os países de língua portuguesa ao estabelecer uma grafia única do idioma. A medida deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países onde a língua portuguesa é falada, além de ampliar a divulgação do idioma e da literatura. Esses tipos de mudanças são importantes pois ajudam a manter a atualidade dos idiomas que se prezam, pois a língua vive um constante processo de evolução. (...) O que eu não concordo é o fato de Portugal sofrer mais mudanças nesse acordo do que o Brasil. No meu ponto de vista o Brasil deveria se adequar ao português de Portugal. (...)"

Jarrah, brasileiro


"Com os professores brasileiros nas condições em que estão - mal pagos, mal formados -, essa mudança pode gerar alguma dificuldade de adaptação. (...) Essa mudança vai fazer muito pouca diferença na facilidade de comunicação entre países."

Eleonora Cavalcante Albano, brasileira, professora da Unicamp


"Do ponto de vista lingüístico e da educação, a preocupação com a unificação de regras gramaticais é uma bobagem absoluta. O valor dessa mudança é muito mais simbólico que prático. Na prática, não são necessárias leis que normatizem a gramática e a ortografia. (...) Variações de ortografia mudam muito pouco a compreensão de um texto, escrever diferente não é um problema lingüístico em nenhum país."

Sírio Possenti, brasileiro, professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp


"Do ponto de vista político, essa é uma má política lingüística. É importante respeitar as diferenças no modo como as pessoas falam."

Maria Irma Hadler Coudry, brasileira, professora de lingüística da Unicamp


"(...) Eu, por exemplo, já disse que deixo de ser portuguesa se for para mudar a minha língua desta maneira. Eles fizeram perder o pouco respeito que tinha por Portugal ao mutilar a nossa língua milenar com este acordo. Era mais digno passarmos a ser uma colónia do Brasil e obrigarem-nos a aceitar a variante deles. (...) Uma coisa é certa, eu recuso-me a modificar a minha escrita. A minha grafia é portuguesa e não pseudo-brasileira e não há nada neste mundo que vai mudar a minha opinião acerca deste assunto. (...) Que vergonha. (...)"

Carina, portuguesa


" (...) A raivice dos brasileiros em relação às pessoas anti-aborto-ortográfico prende-se com o simples complexo de superioridade que julgam ter, pelas dimensões do país, e pelo maior número de habitantes! Nada mais infundado! (...) O que ressalta desta temática aparvalhada é um conjunto de textos que entrarão para os anais da história da trapalhice brasileira, (...) A ser verdade que a língua precisa de uma estruturação e uma verdadeira actualização, seria importante rever o capítulo da acentuação. Esta assim, seria uma reforma plausível, desejada pela maioria, e de certeza muito bem recebida nos meios académicos. (...) Podem querer oferecer-nos samba, mas que fiquem lá com a música, que dançar já nós sabemos há muito. (...) O povo é que é dono da língua, a este é que cabe a missão de mudar o que melhor lhe convier, e se pensarmos bem, da sã convivência entre todos, Portugueses, Brasileiros e Africanos, talvez não houvesse estúpidos acordos ortográficos, como acontece no Inglês, (...) e continuarei a defender que quem tem de mandar na Língua é Portugal, terão de acontecer em igual percentagem, e não uns mais que outros. (...)"

Mário Franco, português


"(...) Mas os portugueses não devem de forma alguma culpar o Brasil e/ou os brasileiros pelas mudanças. É uma injustiça mudarem mais o português de Portugal que o brasileiro? Com certeza. Eu particularmente também não quero escrever lingüiça sem trema; sou veementemente contra a mudança. (...)"

Tiago, brasileiro


"(...) Sujeito passa 5 anos na faculdade para aprender uma cacetada de regras gramaticais, sendo que boa parte delas nunca vai usar, daí quando acha que tá fera vem uma reforma dessas... (...) Agora, você deve estar pensando: "-Mas isso é para tentar unificar as línguas faladas nos diversos países que tem a língua portuguesa como a principal", caramba, você anda lendo muita coisa que não presta. Primeiro, que países são esses? Só tem Brasil e Portugal! O resto é microscópico como Macau ou Timor Leste, ou sem qualquer expressão mundial como Angola e Moçambique. (...) Então para que diabos serve essa unificação? (...) O que muda é apenas uma perfumaria qualquer, só o suficiente para encher nossa paciência, nada mais. (...) Pois eu vos digo, escreve-se errado porque se fala errado. Fala-se errado porque as regras gramaticais são ridículas, tanto quanto essa pseudo reforma. (...) Porque diabos CASA é com S e não com Z? Alguém rapidamente deve ter lembrado da famosa(e estúpida) regra que determina que entre duas vogais S tem som de Z. Certo, mas porquê? Sabe dizer? Agora a porca torce o rabo não? Eu por acaso entre duas mulheres viro gay? No way! (...) Se tem som de Z, então É COM Z! Daí camarada escreve CAZA e galera dá risada, se achando... (...) Quer realmente fazer uma reforma ortográfica revolucionária e que faça o povo aprender rápido sem a necessidade de 200 anos estudando regras idiotas? Simplifica! Vai pelo óbvio! (...)"

Sílvio Teixeira, brasileiro


Pessoalmente - e no direito de opinar sobre o assunto como qualquer falante da língua portuguesa -, gostaria de lembrar a todos, favoráveis ou não ao NAO, que a língua é propriedade dos que a usam. Todos os falantes são donos de suas respectivas línguas. Eles a utilizam, criam, recriam e modificam de acordo com suas necessidades expressivas, que variam naturalmente com o tempo e de mãos dadas com as mudanças geográficas, culturais, políticas e sociais como um todo. Ninguém é mais dono do que o outro, independentemente de (pseudo) justificativas históricas, territoriais, de número de habitantes ou o que for. E justamente porque a língua vive em processo de evolução - esse processo sendo diferente e independente em cada país - que é impossível contê-la ou tentar administrá-la, seja pela escrita ou por qualquer outro meio. Lembro a todos também que a escrita nasceu da fala e, por favor!, não forcem o processo contrário. Se a língua precisa ser "atualizada", que seja conforme as reais necessidades de cada país, e não num acordo desrespeitoso à etimologia das palavras em questão e que força, de modo indiscutivelmente não-natural, 9 países com duas grafias distintas a renderem-se a uma escrita que lhes é estranha e, para muitos, desagradável.

A língua portuguesa tem seus primeiros registros datados por volta do século IX. Já tive contato com registros antiqüíssimos do português - do século XIV: quem estiver interessado, o prólogo do livro com os registros que li se encontra aqui - e fui capaz de entendê-los, mesmo que com dificuldade. Portanto, friso que se um dia a língua portuguesa de um país tornar-se irreconhecível para os de outro, tal processo demorará séculos.

Ilustro com um exemplo: os EUA e Inglaterra e a língua inglesa (já que são países conhecidos e uma língua bem popular no Brasil). Praticamente não há padrão de pronúncia e não existe qualquer acordo ortográfico entre os dois países. A língua inglesa dos EUA e da Inglaterra são "iguais em sua essência": eles não precisam de qualquer tipo de acordo. O que faz a língua inglesa, então, a mais difundida no mundo? Bem, a língua é umbilicalmente ligada à cultura - e vice-versa. O que ocorreu no caso da Inglaterra e dos EUA foi o proliferação de sua cultura, desde o século XVII até os dias de hoje, e, junto com ela, naturalmente, sua língua. Alguns que defendem o NAO justificam que o acordo força o contrário: "fortalecer" a língua portuguesa para semear nossa cultura pelo mundo.

A verdade é que o NAO é um acordo bastante despendedor (já pensaram, por exemplo, que os dicionários que vocês têm em casa tornaram-se obsoletos?) e essencialmente político. É o que pode-se concluir a partir de sua implantação autoritária - sem consulta a lingüistas e nem mesmo ao povo, sem qualquer estudo acerca do impacto de suas alterações - e a partir do modo como incontáveis portugueses reagiram: ofensas e críticas fundadas em um patriotismo exagerado, uma revolta que segundo alguns era mais "legítima" do que a dos brasileiros contrários ao NAO. Pois digo e repito que a nossa revolta é tão "legítima" quanto a deles, dos africanos e dos asiáticos. Se, por um lado, a revolta portuguesa é fundamentada na quantidade de palavras cujas escritas foram modificadas (relembrando: 1,6% para eles e 0,45% para nós), por outro a reforma afetará um número muito maior de brasileiros do que de portugueses. Esses incontáveis portugueses opinam em cima do salto, superiores, donos de algo que não pertence somente a eles. E pior: como se nos culpassem pelo acordo.

Dentre algumas soluções apontadas, devo ressaltar que sugerir outro acordo ortográfico, como um de mudanças ainda mais radicais e que mexem na estrutura profunda e etimológica da língua - como tentar aproximar a escrita da fala - é insano. E os sotaques? E as diferenças regionais de pronúncia (não só a de um país para outro, mas mesmo de uma capital para uma cidade do interior)? É praticamente transformar o alfabeto fonético no padrão! Também acrescento que nenhuma regra gramatical ou ortográfica é inútil. Se não é para um, tenha certeza de que é para outro. E, ainda, esclareço que a expressão mundial individual política dos países da CLPL não está em jogo, e sim a relevância da língua portuguesa para os países integrantes e em comparação com outras línguas do mundo.

A dificuldade de adaptação será grande, especialmente devido à negação de muitos falantes - brasileiros e especialmente portugueses -, que se recusam a adotar a nova grafia. É o que estou fazendo, mas só até a birra passar. Para os já conformados, fica a dica: guia prático da nova ortografia.

*Encontrei divergências sobre esse número. Algumas fontes dizem que a língua portuguesa é a quinta mais falada no mundo e, outras, a sétima.


Fontes:

  1. Folha Online - Educação - Nova ortografia da língua portuguesa entra em vigor em 2009
  2. Folha Online - Educação - O que muda com a reforma da língua portuguesa
  3. Folha Online - Educação - Reforma ortográfica visa difundir o idioma
  4. Estadao.com.br - Acordo ortográfico divide opiniões de especialistas
  5. Gazeta Online - Novo acordo ortográfico ainda divide opiniões
  6. Tudo sobre o novo acordo ortográfico
  7. Tópico em off na comunidade EGM Brasil no Orkut sobre o NAO

7 comentários:

Caju disse...

O pior de tudo é que eu demorei 11 anos na escola pra (quase) aprender a "gramática", pra agora, ter que reaprender.
Não entendo muito do assundo, mas acho que algumas palavras irem mudando por que é inevitável tudo bem, mas mudar uma pancada de palavras do nada, não entendo. E vou demorar muuuuuuuuuuuito pra começar a escrever "direito".

Romulo disse...

Me parece que o único motivo não-reacionário (do tipo "vamos proteger a unidade da língua portuguesa") a favor da reforma repousa na aparente necessidade de unificação da língua para documentos oficiais.

Mas a reforma não resolve esse problema, ela apresenta apenas uma solução burocrática, a "existência de um documento oficial e unificado sobre regras ortográficas" - o que é inócuo, já que as diferenças de vocabulário entre os países de língua portuguesa, felizmente intocadas pela reforma, representam um obstáculo muito maior à compreensão de texto do que regras de acentuação ou hifenização.

Como ficará o dito texto oficial em língua portuguesa caso seja usado o termo ônibus (ou autocarro)? E no caso de tela (écrã), multa (coima), embarcação (galera), viva-voz (mãos livres), placa do carro (matrícula), concreto (betão), entre tantos outros?

Enfim, como disse Caetano, melhor dedicar-se às confusões de prosódia.

Dani disse...

Já passamos por outras reformas ortográficas das quais ninguém saiu ferido. Só lamento pelo pingüim :(

Ana 'Aura' disse...

Exceto que as outras não feriam os orgulhos portugueses, right?
Com sorte, sobreviveremos! haha

Um legendeiro revoltado disse...

E as legendas dos filmes como ficam? Eu não vou refazer nada hein!

Luis Felipe Gomes de Lima disse...

Essa reforma é ridicula, por mim se fosse pra mexe seria para corrigir o ch, ç, x, s, ss.
Tenho dislexia e nunca sei quando usa um ou o outro...
fica ai meu protesto.

Anônimo disse...

Acordos ortográficos são de pura questão política. Se não me engano, em 1942 tivemos uma mudança e nem por isso as pessoas deixaram de falar do jeito que falavam.

A mudança é gramatical, temos que nos acostumar? Temos, mas o impacto maior disso tudo será nas crianças. Elas irão aprender do jeito novo e isso é o que importa pra esses 'politiqueiros'.

Dentre os objetivos pretendidos com a mudança, vender mais livros é só 1 dos ítens...

Agora, eu acho que português devia engolir o orgulho e aceitar que o Brasil não é mais colônia de portugal há muito tempo. Temos nossa cultura (a semana de arte moderna foi o cala a boca pra o mundo), temos os nossos artistas, nossos pensadores que não são mais nem menos brilhantes que muitos dos deles.

Eles tem que lembrar que antes de mais nada, também descendemos deles e que ao contrário de Angola, Timor-Leste, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique e Sâo Tomé e Príncipe; a história foi muito mais generosa conosco. Deviam respeitar a decisão do príncipe deles (e nosso regente) que nos libertou daquela exploração colonial.

Portugal, deixamos de ser colônia e agora somos produtores de pensamento, aceitem a realidade do filho temporão.


Bruno Costa - soubruno.wordpress.com